| "Por
favor, leve meu corpo para ver o mundo"
World Body Project é um imenso projeto de arte contemporânea.
Um trabalho que envolverá pessoas, lugares, culturas
totalmente diferentes e que propõe envolver o planeta
inteiro no deslocamento de um corpo, na idealização
de um corpo onipresente, um corpo mundial.
A
idéia do projeto surgiu algum tempo atrás com
uma frase que me veio à cabeça: “por favor,
leve meu corpo para ver o mundo” e que mostrava bem essa
necessidade, as vezes quase patológica, de algumas pessoas
quererem saber o que existe além do horizonte. O trabalho
discute várias questões relacionadas ao corpo
e ao deslocamento desse corpo pelo mundo, as limitações
do nosso corpo em relação ao espaço, ao
mundo em que vivemos, e naquilo que a pouca “vida útil”
de nosso corpo nos impede de ver, de vivenciar fisicamente.
A
proposta é criar a idéia de um corpo que de alguma
forma consiga romper barreiras,fronteiras, tanto físicas
como sociais e assim se deslocar pelo mundo. Um corpo que se
metamorfoseia em uma idéia, em uma representação
para chegar a lugares que provavelmente de outra forma poderia
ser impossível. Para isso esse corpo utiliza outros corpos
como meio de locomoção, quase como uma espécie
de hospedeiro. Para isso funcionar eu precisava de algo que
pudesse se locomover (nesse caso os corpos das pessoas que participarão
do projeto) e de algo onde esse corpo (esse corpo-conceito)
pudesse estar. A camiseta foi o meio escolhido, por ser um vestuário
considerado universal, usado na maioria dos países do
mundo.
O
trabalho também discute questões relacionadas
à própria arte, à sua “utilidade”,
à sua perenidade. Estou cada vez menos interessado no
objeto arte, esse objeto físico que “tem”
que ser guardado, cultuado, venerado, cobiçado, possuído
por poucos, que acaba muitas vezes num porão de um museu
ou num cofre de um banco.
O
que me interessa hoje é a arte mais como experiência
do que como objeto. A arte que envolve pessoas que nem sabem
direito o que é arte ou que se metamorfoseia em algo
insuspeitado para provocar diálogos, encontros. Gosto
desses encontros, dessa dúvida gerada diante do desconhecido,
do inesperado, dessa coisa sem respostas claras.
Não
faço arte pra leigos nem para intelectuais, faço
arte pra gente, gente que conheço e também gente
que nunca vi, e muitas que nunca verei, mas que posso encontrar
através da minha arte.
Gosto
de arte que anda...
que se perde...
que
se acha...
ou
é achada.
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